segunda-feira, 13 de junho de 2011

A poesia de Fernando Pessoa

O tom poético soa na voz do poeta e fortalece o coração de quem gosta de ler boas obras. Por essa razão, estou homenageando o Grande Poeta Fernando Pessoa, que sensibiliza com suas palavras exuberantes.  


Não Sei Quantas Almas Tenho (Fernando Pessoa)
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não atem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Texto “Seja um idiota” por Arnaldo Jabor

A idiotice é vital para a felicidade.
Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz!
A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?
Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!
Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele. Milhares de momentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto. Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? hahahahahahahahaha!…
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema? É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar? Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas… a realidade já é dura; piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim. Brincar é legal. Entendeu? Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva. Pule corda! Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte. Ser adulto não é perder os prazeres da vida – e esse é o único “não” realmente aceitável. Teste a teoria. Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras.
Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir… Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho
gostoso agora? “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios”.
“Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche”.


Autor: Arnaldo Jabor

quinta-feira, 19 de maio de 2011

CANTATA

Seria bom se eu pudesse cantar
Esse poema performático
Conclusivo e até cômico,
Ou mesmo, declamá-lo;
para poder mostrar
a composição da minha inspiração.

Descrevo um fato dramático
Mas nem tanto problemático
Com letra simples, de forma lírica e de
Fácil interpretação.

Como um lírio no campo
Exposto à brisa e ao orvalho
Em formato de açucena-branca
Que pode ser substituído por
Flor exuberante.

Nunca é tarde para se sobrepor
Uma ação definitiva
De tudo aquilo que
Precisa ser dito.

É por isso que digo sempre
Que ser poeta é dom,
Poetar é uma terapia
E fazer uma cantata é prazeroso.

Que os lírios do campo
Continuem me inspirando
Para que meu cantar
Se transforme em performance poética
Capaz de me conduzir
A um lugar
Que eu bem mereço.

O lugar já está escolhido
Faz parte do meu dia a dia
Não sei se vou conseguir poetar sob os acordes na cantata
Farei pelo menos, uma serenata
Em forma de cantoria
Estou contando em verso e prosa
Fazendo o que posso e o que não posso
Agora estou certo de que o lugar que eu tanto mereço
Para defender a cultura literária
É a cadeira de número 5
Na nossa ACLA, verdadeira Academia.

Autor: Paulo Vasconcellos - Poeta Popular, integrante da Academia Capanemense de Letras e Artes - ACLA, titular da Cadeira número 5.  

quarta-feira, 11 de maio de 2011

AMOR É PROSA, SEXO É POESIA - Por Arnaldo Jabor

Sábado, fui andar na praia em busca de inspiração para meu artigo de jornal. Encontro duas amigas no calçadão do Leblon:
- Teu artigo sobre amor deu o maior auê... – me diz uma delas.
- Aquele das mulheres raspadinhas também... Aliás, que você tem contra as mulheres que barbeiam as partes? – questiona a outra.
- Nada... – respondo. – Acho lindo, mas não consigo deixar de ver ali nas partes dessas moças um bigodinho sexy... não consigo evitar... Penso no bigodinho do Hitler, do Sarney... Lembram um sarneyzinho vertical nas modelos nuas... Por isso, acho que vou escrever ainda sobre sexo...
Uma delas (solteira e lírica) me diz:
- Sexo e amor são a mesma coisa...
A outra (casada e prática) retruca:
- Não são a mesma coisa não...
Sim, não, sim, não, nasceu a doce polêmica ali à beira-mar. Continuei meu cooper e deixei as duas lindas discutindo e bebendo água-de-coco. E resolvi escrever sobre essa antiga dualidade: sexo e amor. Comecei perguntando a amigos e amigas. Ninguém sabe direito. As duas categorias trepam, tendendo ou para a hipocrisia ou para o cinismo; ninguém sabe onde a galinha e onde o ovo. Percebo que os mais “sutis” defendem o amor, como algo “superior”. Para os mais práticos, sexo é a única coisa concreta. Assim sendo, meto aqui minhas próprias colheres nesta sopa.
O amor tem jardim, cerca, projeto. O sexo invade tudo isso. Sexo é contra a lei. O amor depende de nosso desejo, é uma construção que criamos. Sexo não depende de nosso desejo; nosso desejo é que é tomado por ele. Ninguém se masturba por amor. Ninguém sofre de tesão. O sexo é um desejo de apaziguar o amor. O amor é uma espécie de gratidão posteriori pelos prazeres do sexo.
O amor vem depois, o sexo vem antes. No amor, perdemos a cabeça, deliberadamente. No sexo, a cabeça nos perde. O amor precisa do pensamento.
No sexo, o pensamento atrapalha; só as fantasias ajudam. O amor sonha com uma grande redenção. O sexo só pensa em proibições: não há fantasias permitidas. O amor é um desejo de atingir a plenitude. Sexo é o desejo de se satisfazer com a finitude. O amor vive da impossibilidade sempre deslizante para a frente. O sexo é um desejo de acabar com a impossibilidade. O amor pode atrapalhar o sexo. Já o contrrário não acontece. Existe amor sem sexo, claro, mas nunca gozam juntos. Amor é propriedade. sexo é posse. Amor é a casa; sexo é invasão de domicílio. Amor é o sonho por um romântico latifúndio; já o sexo é o MST. O amor é mais narcisista, mesmo quando fala em “doação”. Sexo é mais democrático, mesmo vivendo no egoísmo. Amor e sexo são como a palavra farmakon em grego: remédio e veneno. Amor pode ser veneno ou remédio. Sexo também – tudo dependendo das posições adotadas.
Amor é um texto. Sexo é um esporte. Amor não exige a presença do “outro”; o sexo, no mínimo, precisa de uma “mãozinha”. Certos amores nem precisam de parceiro; florescem até mas sozinhos, na solidão e na loucura. Sexo, não – é mais realista. Nesse sentido, amor é uma busca de ilusão. Sexo é uma bruta vontade de verdade. Amor muitas vezes e uma masturbação. Seco, não. O amor vem de dentro, o sexo vem de fora, o amor vem de nós e demora. O sexo vem dos outros e vai embora. Amor é bossa nova; sexo é carnaval.
Não somos vítimas do amor, só do sexo. “O sexo é uma selva de epiléticos” ou “O amor, se não for eterno, não era amor” (Nelson Rodrigues). O amor inventou a alma, a eternidade, a linguagem, a moral. O sexo inventou a moral também do lado de fora de sua jaula, onde ele ruge. O amor tem algo de ridículo, de patético, principalmente nas grandes paixões. O sexo é mais quieto, como um caubói – quando acaba a valentia, ele vem e come. Eles dizem: “Faça amor, não faça a guerra”. Sexo quer guerra. O ódio mata o amor, mas o ódio pode acender o sexo. Amor é egoísta; sexo é altruísta. O amor quer superar a morte. No sexo, a morte está ali, nas bocas... O amor fala muito. O sexo grita, geme, ruge, mas não se explica. O sexo sempre existiu – das cavernas do paraíso até as saunas relax for men. Por outro lado, o amor foi inventado pelos poetas provinciais do século XII e, depois, revitalizado pelo cinema americano da direita cristã. Amor é literatura. Sexo é cinema. Amor é prosa; sexo é poesia. Amor é mulher; sexo é homem – o casamento perfeito é do travesti consigo mesmo. O amor domado protege a produção. Sexo selvagem é uma ameaça ao bom funcionamento do mercado. Por isso, a única maneira de controla-lo é programa-lo, como faz a indústria das sacanagens. O mercado programa nossas fantasias.
Não há saunas relax para o amor. No entanto, em todo bordel, FINGE-SE UM “AMORZINHO” PARA INICIAR. O amor está virando um “hors-d’oeuvre” para o sexo. O amor busca uma certa “grandeza”. O sexo sonha com as partes baixas. O PERIGO DO SEXO É QUE VOCÊ PODE SE APAIXONAR. O PERIGO DO AMOR É VIRAR AMIZADE. Com camisinha, há sexo seguro, MAS NÃO HÁ CAMISINHA PARA O AMOR. O amor sonha com a pureza. Sexo precisa do pecado. Amor é o sonho dos solteiros. Sexo, o sonho dos casados. Sexo precisa da novidade, da surpresa. “O grande amor só se sente no ciúme” (Proust). O grande sexo sente-se como uma tomada de poder. Amor é de direita. Sexo, de esquerda (ou não, dependendo do momento político. Atualmente, sexo é de direita. Nos anos 60, era o contrário. Sexo era revolucionário e o amor era careta). E por aí vamos. Sexo e amor tentam mesmo é nos afastar da morte. Ou não; sei lá... e-mails de quem souber para o autor.

 Arnaldo Jabor

quarta-feira, 4 de maio de 2011

POEMA DO AMOR

Lá vai o amor

Passando por um coração.
Lá vem a solidão, esquecida,
Porém, emergente.

Lá se foi meu coração
Esperançoso de tua presença.
Chegou o amor voraz
Baseado em tua lembrança.

Quero te receber com um abraço
Daqueles que jamais esquecerei.
Apertar-te em meu peito
E matar a saudade que me persegue.

Não vou chorar e nem lamentar
Vou te esperar, antes que seja tarde.
Preciso ter você perto de mim
Para te fazer feliz, sempre assim.

Na tarde chuvosa
Te espero,
Se não vieres,
Vou ficar triste
Pois só assim, reconheço que te perdi.
 

Autor: Paulo Henrique 

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A Páscoa é Fraternidade

Estamos comemorando o momento em que todos os Cristãos se irmanam e refletem independente de religião. Para comemorar o período, estou destacando abaixo, texto em Acróstico, desejando ótima e Abençoada Páscoa.

Precisamos de Paz e Fraternidade
Ainda bem que somos irmãos em Cristo
Solidificar a família com as bênçãos de Deus
Cristo reina em nossos corações
Onde estivermos, precisamos elevar o nome do Pai
Acrescentemos a felicidade aos nossos pedidos.

Com fervor e serenidade estamos unidos
Orar em favor dos irmãos é necessário
Muitas vezes nos deparamos com situações desagradáveis

Contemos com o amor Fraterno e cantemos com louvor
Religiosamente nos completamos
Isto porque, somos filhos de Deus
Santíssimo é o seu Nome
Todos os dias pedimos bênçãos  
Onde quer que estejamos.

Mais uma vez, desejo Feliz Páscoa para todos os meus amigos!!!

(Paulo Henrique)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Monólogo

Em uma cena só, quero ser teu ator preferido
Representar de forma eficiente
Interpretando para mim mesmo
Meu monólogo, para que ninguém me julgue
Pois, nesse contexto natural
Só você pode me julgar.


Sou o ator principal de uma peça
Que tem você como coadjuvante
Num papel secundário e verdadeiro.


Quero ser o primeiro
A sentir que o show ainda vai começar
Para poder abrir meu coração
E dizer a você, que a imensidão do mundo
Faz do amor, um sentimento profundo
Capaz de unir dois seres
E que essa união frutifique
E se ramifique.


Na interpretação do pensamento
Nada se transforma, tudo se constrói.


Autor: Paulo Henrique